Estudo destaca a importância da supervisão clínica para a adoção de práticas baseadas na evidência

Published by Sandra Pereira on

O estudo recentemente publicado na Revista Científica Internacional da RACS destaca a importância da supervisão clínica para a adoção de uma prática baseada na evidência (PBE).

Este trabalho, publicado pelos docentes ESEP e investigadores CINTESIS Leonor Teixeira, Cristina Barroso Pinto e Luís Carvalho em coautoria com os investigadores Ana Teixeira e Cristina Augusto, pretendeu avaliar a predisposição dos profissionais de enfermagem para incorporar a PBE nos seus cuidados, identificando, ainda, as barreiras à sua implementação no local de trabalho.

Elaborado no âmbito do projeto SafeCare, este estudo exploratório-descritivo foi realizado numa unidade de cirurgia de ambulatório de um Hospital Universitário da região do Porto e a colheita de dados foi realizada através do Questionário de Eficácia Clínica e Prática Baseada em Evidências, avaliando-se 3 dimensões: “Conhecimentos, Habilidades e Competências”, “Atitudes” e “Práticas”.

Os resultados demonstram que os enfermeiros são favoráveis à implementação da PBE, realçando-se que os participantes com treino em supervisão clínica apresentam melhores resultados na dimensão “Conhecimentos, Habilidades e Competências” do que os participantes sem treino em supervisão clínica. Por outro lado, os enfermeiros com especialidade apresentaram valores mais altos na dimensão “Atitudes” que os demais.
Da análise qualitativa dos dados os autores identificam as barreiras à implementação da supervisão clínica e, bem assim, à mais impactante implementação da PBE.

As barreiras identificadas pelos enfermeiros resumem-se, essencialmente, em quatro categorias: a nível organizacional, a nível profissional, a nível da liderança e a nível da evidência.

Explicam os autores que, “a nível organizacional sobressai a escassez de investimento da formação dos enfermeiros nomeadamente a nível da investigação à qual acresce a sobrecarga de trabalho, a falta de pessoal que se resume na falta de tempo para a implementação da PBE. Alguns participantes referem que os serviços estão muito rotinizados e que é necessário “quebrar” essas rotinas e fomentar momentos de partilha.

A nível profissional as dificuldades centram-se na falta de tempo e de competências em PBE, facto que leva alguns profissionais a refugiarem-se e resistirem à mudança.A nível da liderança, os participantes na sua maioria referem que há falta de empenho das chefias e a nível da evidência, a principal barreira prende-se com o facto de a evidência científica não estar facilmente acessível para consulta.”

Apesar destas dificuldades identificadas, os participantes no estudo relataram uma atitude positiva em relação à PBE, reconhecendo-a como um elemento-chave para apoiar a prática, corroborando a evidência existente.

O trabalho permite concluir, assim, que o nível de ensino de enfermagem, ou seja, o grau de especialização está relacionado a uma atitude positiva em relação à PBE. Da mesma forma, níveis mais altos de educação e certificação estão associados a intenções positivas de usar a pesquisa na prática.

Este estudo reforça, assim, a importância da supervisão clínica na prática diária como um fator-chave para o desenvolvimento da competência de PBE. Destaca, por fim, a importância da implementação local de protocolos para supervisão clínica na prática de enfermagem a fim de melhorar o desenvolvimento e implementação da PBE e garantir o atendimento de qualidade.

Afiliação dos autores
Referência do artigo
Teixeira, L. O., Barroso Pinto, C., Carvalho, A. L., Carvalho Teixeira, A. I., & Bompastor Augusto, M. C. (2021). Supervisão no indicador de prática clínica: a prática baseada na evidência no contexto do paciente cirúrgico. RevSALUS – Revista Científica Internacional Da Rede Académica Das Ciências Da Saúde Da Lusofonia, 3(2). https://doi.org/10.51126/revsalus.v3i2.49

0 Comments

Deixe uma resposta

Avatar placeholder

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *