Estudo avalia níveis de burnout em enfermeiros portugueses, espanhóis e brasileiros
Os profissionais de saúde são os mais afetados pela síndrome de burnout, com maior prevalência entre enfermeiros jovens e que trabalham por turnos.
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Produzir conhecimento científico sobre dimensões dos contextos laborais dos profissionais de enfermagem e a saúde dos trabalhadores, nomeadamente no que se refere à identificação dos níveis de stress, burnout, presentismo e satisfação com o trabalho é uma das premissas do projeto INT-SO, desenvolvido pela ESEP, pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP), pela Faculdade de Medicina e Ciências de Saúde da Universidade de Oviedo (UNIOVI) e pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo.

Na última década, o burnout tornou-se mais prevalente e, a partir de maio de 2019, passou a ser considerado um fenómeno ocupacional. Devido às suas consequências, a síndrome de burnout é um problema de saúde pública que tem despertado interesse e preocupação na comunidade científica e nas organizações. A literatura demonstra que, os profissionais de saúde são os mais afetados pela síndrome de burnout, com maior prevalência entre enfermeiros.

O artigo “Burnout among nurses: a multicentric comparative study”, publicado na Revista Latino-Americana de Enfermagem, pelos docentes da Escola Superior de Enfermagem do Porto, Elisabete Borges e Margarida Abreu, em coautoria com Cristina Maria Leite Queirós[1], Maria Pilar Mosteiro-Diaz[2], Maria Baldonedo-Mosteiro[3], Patrícia Campos Pavan Baptista[4], Vanda Elisa Andres Felli[5], Miriam Cristina dos Santos Almeida[6] e Silmar Maria Silva[7] pretendeu identificar e comparar os níveis de burnout em enfermeiros portugueses, espanhóis e brasileiros.

Este estudo, realizado entre 2016 e 2017 envolveu 1.052 enfermeiros, sendo 306 de Portugal, 269 de Espanha e 477 do Brasil. Todos os participantes trabalhavam em hospitais públicos e centros de saúde públicos, estabelecendo-se como critério de inclusão o facto de terem de ter um vínculo com uma entidade patronal e ter experiência profissional de mais de 6 meses.

Os autores conseguiram concluir que 42% dos enfermeiros portugueses apresentaram níveis moderados/elevados de burnout e valores mais elevados de Exaustão Emocional e Realização Pessoal do que de Despersonalização. Além disso, o estudo demonstra que em Portugal, o turno rotativo está associado a um maior nível de burnout. Por outro lado, no Brasil e em Espanha, o turno fixo está associado a um maior nível de burnout.

Concluíram ainda que, durante a atividade profissional, o enfermeiro está exposto a inúmeros fatores de stress que, combinados, têm grande probabilidade de afetar negativamente o profissional e a organização, com destaque especial para a síndrome de burnout. Aproximadamente 40% dos enfermeiros obtiveram algum nível de burnout em cada país. Por isso, é importante preparar o enfermeiro para identificar os riscos de desenvolver burnout e ajudá-lo a encontrar recursos na família, na comunidade e na organização para melhorar o seu bem-estar.


[1] Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Porto

[2] Universidade de Oviedo, Departamento de Medicina, Área Enfermagem

[3] Instituto de Enseñansa Secundária número 5, Departamento de Administração de Empresas, Avilés, Astúrias

[4] Universidade de São Paulo, Escola de Enfermagem, Departamento de Orientação Profissional

[5] Universidade de São Paulo, Escola de Enfermagem, Departamento de Orientação Profissional

[6] Universidade Federal do Tocantins, Palmas

[7] Universidade Federal de Minas Gerais, Departamento de Enfermagem Básica, Belo Horizonte

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