Publicado relatório sobre os desafios para a saúde dos Portugueses durante a pandemia
O relatório intitulado “A pandemia de Covid-19: Desafios para a saúde dos Portugueses”, realizado pelo Conselho Nacional de Saúde, contou com a colaboração de Luís Carvalho, Presidente da ESEP.
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Conselho Nacional de Saúde acaba de publicar o relatório com o título “A pandemia de Covid-19: Desafios para a saúde dos Portugueses”. Esta publicação, que contou com a colaboração de Luís Carvalho, Presidente da Escola Superior de Enfermagem do Porto, elenca 10 recomendações para o futuro e pretende ser uma reflexão sobre a forma como a pandemia – e as várias medidas tomadas para a sua resposta – pode ter afetado a demografia e o bem-estar social da população, a saúde mental e a prestação de outros cuidados de saúde à população.

O documento está divido em quatro temas fundamentais: indicadores sociais, demográficos e de saúde; saúde mental e pandemia: uma visão sindémica; cuidados de saúde e 10 recomendações para o futuro.

Tendo por base a análise de diversos inquéritos e estudos realizados à população portuguesa, a análise dos dados revelou que, desde o primeiro confinamento, o crescimento de situações de desemprego, subemprego, layoff e perdas de salário colocaram uma parte da população ativa em situação crítica no que respeita à sobrevivência económica, com consequências na saúde física e mental.

De facto, o relatório refere diversas situações de fragilidade que a pandemia agravou. Destaca a situação dos trabalhadores pouco qualificados e de baixos rendimentos, com contratos precários ou envolvidos na economia informal. Este franjas populacionais terão sido fortemente atingidos pela pandemia, tendo sentido, mais intensamente, o seu impacto económico e social.

Este estudo refere, também, a situação das pessoas portadoras de doença crónica, em risco por complicações associadas à Covid-19 e demais consequências laborais e financeiras.

Deste modo, o estudo revela que o aumento acentuado de casos, o medo da doença e as medidas de contenção ou mitigação tiveram repercussões não apenas de saúde, mas também financeiras, com uma queda acentuada do PIB em 2020.

Acresce, ainda, que  a imposição do teletrabalho e do ensino remoto universal terá causado problemas acrescidos na conciliação entre vida familiar e profissional (sobretudo para as mães) e no risco de agravamento de desigualdades na escola.

O relatório refere-se ainda ao impacto da pandemia na saúde mental das populações. Na realidade, com a implementação de medidas de controlo e mitigação da pandemia– especialmente os vários confinamentos com os seus efeitos nas rotinas diárias ou nos meios de subsistência –, outras consequências imergiram, ao nível da solidão, depressão, uso nocivo de álcool e outras drogas e comportamentos de auto-lesão.

Assim, o relatório concluiu que se o isolamento físico é importante para proteger a saúde física da comunidade, impedindo o contágio pelo vírus, quanto mais tempo se mantiver a população em confinamento, maiores serão os riscos de impacto na saúde mental. Se a estes aspetos se associarem as consequências para a economia de pessoas e famílias, com um aumento da pobreza e das desigualdades, enfrentar-se-á uma sindemia que deve ser acompanhada e combatida como tal.

A atividade assistencial é uma das principais componentes dos sistemas de saúde, sendo a sua monitorização e avaliação periódica fundamentais para a compreensão da evolução dos indicadores de mortalidade e de morbilidade, bem como das atividades de prevenção de doença e de promoção da saúde. Os autores explicam que a organização da resposta em cuidados de saúde à Covid-19 teve impactos profundos na prestação de cuidados de saúde não relacionados com a pandemia, substanciados na alteração da atividade assistencial, na redução das atividades relacionadas com a prevenção da doença ou promoção da saúde ou no desvio de recursos quer financeiros quer humanos para o seu combate.

Deste forma, o relatório do CNS permitiu registar dez recomendações dirigidas aos decisores e instituições: realização de uma análise ao efeito da pandemia no sistema de saúde; implementação de medidas de acesso a dados em saúde, de forma transversal a todo o sistema de saúde, com informação desmaterializada e acessível; garantia de acesso a pareceres técnicos produzidos por órgãos públicos, melhorando a compreensão pública do racional e dos critérios usados na tomada de decisão; identificação de áreas prioritárias para uma atuação mais imediata, nomeadamente a saúde mental, os programas de rastreio populacional e a promoção da saúde; reabastecimento do Serviço Nacional de Saúde em recursos humanos, organizacionais e financeiros; inicio de uma profunda reforma dos serviços de Saúde Pública, nos seus vários níveis; reformulação de formas de relação entre os diversos agentes e operadores, públicos e privados, do sector da saúde e parceiros; aceleramento da transição digital na saúde; desenvolvimento de novas abordagens de prevenção da doença e promoção da saúde e reforço das políticas sociais com impacto direto e indireto na saúde e no bem-estar.

O relatório, publicado em 2022, contou com o contributo de mais de 30 peritos nas áreas relacionadas com os problemas sociais, saúde e ensino superior.

Resposta aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
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