Identificados os fatores de risco para a admissão não planeada em lares, após alta hospitalar
fatores de risco, admissão não planeada
Estudo colaborativo entre investigadores portugueses e suiços identifica fatores de risco para a admissão não planeada em lares, após alta hospitalar.
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Maria Manuela Martins, em colaboração com investigadores portugueses e helvéticos, participou em  estudo publicado na BMJ Open.

O artigo recentemente publicado, intitulado “Unplanned nursing home admission among discharged polymedicated older inpatients: a single-centre, registry-based study in Switzerland”, teve como objetivo identificar as características dos pacientes, os dados de saúde disponíveis e a medicação associada à admissão não planeada em lares de idosos, após alta hospitalar por condição aguda.

Este estudo foi realizado a partir da análise dos registos hospitalares recolhidos em hospital público no sul da Suíça, numa amostra de 14.705 admissões entre 2015 e 2018.

Os resultados demonstram uma prevalência média de admissão não planeada em lares, após alta hospitalar, de 6,1%. A análise dos dados revelou, ainda, que os adultos mais velhos que apresentam mobilidade funcional mais débil, dependência nas atividades do quotidiano, debilidade cognitiva e lesões traumáticas, têm maior probabilidade de serem admitidos em lares.

Destaque, ainda, para a correlação entre toma de medicamentos antieméticos e/ou antinauseantes, digestivos, psicolépticos, antiepiléticos e a admissão não planeada de idosos.

O estudo conclui que as características sociodemográficas dos idosos hospitalizados, juntamente com condições clínicas e medicação prescrita, podem ser fatores de risco para o internamento não planeado em lares de idosos após a alta hospitalar.

Os autores destacam, contudo, que o declínio das funções física e cognitiva são, igualmente, as condições de saúde que mais conduzem à admissão não planeada em lares de idosos. 

Assim, identificar esses fatores de risco para admissão não planeada em lares de idosos e intervir no seu controlo pela aplicação de estratégias preditivas e programas de assistência personalizados, poderão permitir a redução do número de idosos colocados em lares de idosos, após processos agudos de internamento hospitalar.

Advertem, porém, os autores, que mais estudos serão necessárias com amostras maiores de pacientes idosos internados para perceber se, de facto, as intervenções personalizadas em estágios iniciais de doenças crónicas poderão retardar a disfunção física e cognitiva e reduzir, assim, o internamento não planeado em lares nesse segmento crescente da população.

Este artigo resulta da colaboração entre investigadores do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto, da HES-SO Valais-Wallis de Sion, do Centre Hospitalier Universitaire Vaudois, do Institute of Psychology da Universidade de Lausanne, do Institute for Primary Health Care da Universidade de Berna, do University Hospital of Bern, do Swiss Centre of Expertise in the Social Sciences da Universidade de Lausanne e da Escola Superior de Enfermagem do Porto tendo sido cofinanciado pela Swiss National Science Foundation (grant number 407440_183434/1).

Sobre os autores

Filipa Pereira
Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Portugal

Henk Verloo
Centre Hospitalier Universitaire Vaudois, Suíça

Armin von Gunten
Centre Hospitalier Universitaire Vaudois, Suíça

María Del Río Carral
University of Lausanne, Suíça

Carla Meyer-Massetti
Institute of Primary Health Care, Suíça

Maria Manuela Martins
Escola Superior de Enfermagem do Porto, Portugal

Boris Wernli
Swiss Centre of Expertise in the Social Sciences, Suíça 

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