Entrevista com Teresa Martins, responsável pela Unidade Cientifico-Pedagógica Autocuidado
Nos dias 18 e 19 de novembro realiza-se o II Fórum Internacional do Autocuidado, organizado pela Unidade Cientifico-Pedagógica Autocuidado, da Escola Superior de Enfermagem do Porto.
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Em entrevista à ESEP, Teresa Martins, Coordenadora da UCP fala sobre o evento e sobre a importância do autocuidado, da motivação e da autodeterminação na autogestão da doença crónica.

Quando falamos em Autocuidado falamos concretamente de quê?

O autocuidado reporta-se a um conjunto alargado de medidas básicas e de baixa complexidade, mas com grande impacto na saúde e no bem-estar das pessoas. São exemplo destas medidas uma alimentação equilibrada, a prática de exercício físico, evitar a exposição a riscos desnecessários e cuidados de higiene adequados. A literacia em saúde é por muitos, reconhecida como a competência básica e com maior impacto na realização dessas medidas.

Dados do Instituto Nacional de Estatística revelam que 2020 foi, entre os últimos cinco anos, o que registou a maior proporção de pessoas com morbilidade crónica. Quais os motivos para o aumento das doenças crónicas e quais os principais desafios da Autogestão da doença crónica?

O maior número de notificações de doenças crónicas tem muito a ver com cuidados de saúde e registos de melhor qualidade. De forma indireta a maior esperança de vida também está associada a mais problemas de saúde, sobretudo nos mais idosos. O leque de doenças crónicas é muito variado, quanto à gravidade, incapacidade que provocam, e dificuldade de gestão.  Para além da implementação de um conjunto de medidas indicadas a cada situação, o maior desafio da autogestão da doença crónica é a sua manutenção.  A motivação e a autodeterminação são muito relevantes. Um dos aspetos mais desafiantes em muitas destas doenças é que o tratamento e controlo depende dos comportamentos que a pessoa vai adotar. Não basta tomar medicação. A criação de rotinas pode ajudar neste processo, estabelecendo um conjunto de atividades que a pessoa deve regularmente integrar no dia a dia. Por vezes essas rotinas nem sempre são compatíveis com as tarefas do dia a dia, com a atividade laboral ou até com a vida familiar. Aqui o enfermeiro tem um papel importante pois ajuda a pessoa e a sua família a refletirem e encontrarem as melhores estratégias para integrar esse regime terapêutico no seu quotidiano, de forma que ele seja o menos intrusivo, passando a fazer “parte da rotina”.

O envelhecimento da população portuguesa está diretamente relacionado com a dependência no autocuidado?

Não é o envelhecimento que provoca dependência no autocuidado, mas os problemas de saúde que as pessoas vão acumulando ao longo do ciclo de vida. Por desconhecimento, por falta de oportunidades ou de recursos, muitos idosos foram sucessivamente expostos a riscos e adquirindo condições desfavoráveis. Daí a necessidade de sensibilizar os mais novos a aderir a estilos de vida saudáveis e a vincularem-se com o seu potencial de saúde.

De que forma se podem criar respostas ajustadas às necessidades das pessoas em situação de dependência no autocuidado?

As pessoas com compromisso na realização de atividades de autocuidado devem ser encorajadas e apoiadas na recuperação dessas funções. Quando de todo não é possível a sua recuperação, terão que ser substituídas por um familiar cuidador ou por profissionais. Existe um conjunto alargado de equipamentos que permitem que pessoas com compromissos passem a ser autónomas. A preparação e capacitação dos familiares cuidadores é, sem dúvida, um grande desafio neste processo.

Quem participar no II Fórum do Autocuidado o que pode esperar?

O nosso objetivo é partilhar os trabalhos e reflexões, discutir e analisar práticas profissionais baseadas na investigação, na inovação e na evidência científica, e assim, alcançar mais ganhos na saúde.

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