Perceções e vivências de enfermeiros sobre o seu desempenho na pandemia da COVID-19
Ansiedade, angústia, medo e insegurança foram alguns dos estados emocionais destacados pelos enfermeiros.
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Nas últimas décadas a evolução dos contextos de trabalho está associada a novas realidades decorrentes de mudanças demográficas e tecnológicas. Contudo, em março de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou que o surto do novo coronavírus havia atingido o nível de pandemia, representando este o maior problema de saúde pública dos últimos 100 anos.

Por estarem na linha da frente no combate à pandemia, o papel dos enfermeiros foi fundamental para nos sistemas de saúde a nível global. Contudo trouxe também mudanças profundas a nível organizacional, de interação trabalho-família, de novas formas de trabalho e de aumento dos riscos profissionais.

O artigo “Perceptions and experiences of nurses about their performance in the COVID-19 pandemic”, publicado na Revista da Rede de Enfermagem do Nordeste, pela docente da Escola Superior de Enfermagem do Porto, Elisabete Borges, em coautoria com Cristina Maria Leite Queirós[1], Maria Rosário Fátima Sousa Pinheiro Vieira[2] e Antónia Adília Ribeiro Teixeira[3], pretendeu descrever a perceção e vivências dos enfermeiros sobre o seu desempenho durante a pandemia da COVID-19.

Os autores concluíram que a perceção e vivências dos enfermeiros que participaram neste estudo apresentam estados emocionais negativos, como a ansiedade, a angústia, o medo, o stress, a preocupação e a insegurança. Com vista a debelar estes estados emocionais associados à sua experiência a trabalhar na linha da frente no combate da pandemia, os enfermeiros adotaram estratégias, essencialmente, individuais, destacando-se o apoio da equipa e da família. O retorno à normalidade é uma das principais expectativas do futuro, em que o crescimento pessoal e profissional e a valorização da enfermagem estão igualmente integrados.

Este estudo poderá, em conclusão, contribuir para a consciencialização de enfermeiros, gestores e organizações para a importância da promoção da saúde e da saúde mental no ambiente de trabalho, através da reorganização do trabalho, da promoção de uma cultura de apoio social e comportamentos saudáveis, como hábitos alimentares, exercícios físicos e atividades de lazer.

[1] Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Porto

[2] Agrupamento de Centros de Saúde do Tâmega II – Vale do Sousa Sul. Porto

[3] Unidade de Saúde Pública, Agrupamento de Centros de Saúde do Tâmega II – Vale do Sousa Sul

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