Estudo revela que o período pré-natal é um propulsor do desenvolvimento da identidade paterna
Acaba de ser lançado um estudo que procurou compreender as vivências dos homens na transição para a paternidade durante o período pré-natal.
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Historicamente, os homens têm sido considerados como secundários, e às vezes desnecessários, no processo de transição para a parentalidade. Atualmente, assiste-se a uma paternidade caracterizada por uma masculinidade mais afetuosa, de um pai mais envolvido na gravidez e no nascimento, e nos cuidados e educação aos filhos.

O estudo “Transição para a paternidade no período pré-natal: um estudo qualitativo”, publicado pela docente da Escola Superior de Enfermagem do Porto, Cândida Pinto, em coautoria com Catarina Silva[1] e Cristina Martins[2], na Revista Ciência & Saúde Coletiva, pretendeu compreender as vivências dos homens na transição para a paternidade durante o período pré-natal.

Este estudo foi desenvolvido com pais que se encontravam a realizar o Curso de Preparação para o Parto numa unidade de cuidados da região norte de Portugal. Os intervenientes tinham de ter idades compreendidas entre os 27 e os 40 anos, e estar a vivenciar pela primeira vez a gravidez da parceira, no último trimestre de gravidez, em regime de coabitação e gestação sem patologia materno-fetal.

As ecografias e a perceção dos movimentos fetais destacam-se como acontecimentos chave desta experiência, promotores da aceitação da realidade, que permitem aos homens posicionarem-se num espaço emocional mais próximo da gravidez e do feto. Os homens expressam o seu envolvimento na gestação demonstrando compromisso e responsabilidade e estando presente: “Tenho participado 100% na gravidez, sem dúvida nenhuma, tenho ido às consultas todas. Tenho-me esforçado por ir a todas […] porque é o meu filho, eu quero participar em tudo, eu quero ver tudo”.

As autoras concluíram que no percurso de adaptação e organização que o homem atravessa ao longo da gravidez da companheira, são várias as mudanças sentidas durante esta transição, que podem ser encaradas como estratégias preparatórias para o assumir do papel paterno. Além disso, destacam o período pré-natal como um propulsor do desenvolvimento da identidade paterna. Durante a gravidez os futuros pais empreendem um exercício reflexivo no que se reporta ao modelo parental que desejam para o futuro.

O estudo revela ainda que os profissionais de saúde podem ser elos promotores de uma transição para a paternidade mais positiva. Como muitas das respostas emocionais experienciadas pelos homens são delicadas e constrangedoras, os profissionais deverão dispor de sensibilidade e de um conjunto de competências e habilidades comunicacionais e interpessoais para conseguirem apoiar efetivamente os homens em transição. No âmbito dos cuidados de saúde, há que incluir o homem como foco de atenção.

Contudo, o facto de a amostra ser constituída apenas por pais cujas companheiras frequentaram o Cuso de Preparação para a Parto, as autoras não conseguiram saber se os pais com companheiras que não o frequentam têm as mesmas vivências.

[1] ACES Alto Ave. Portugal

[2] Escola Superior de Enfermagem, Universidade do Minho

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