Estudo avalia as atitudes de enfermeiros de cuidados primários perante a pessoa com transtorno mental no Brasil
Os enfermeiros apresentam, tendencialmente, uma atitude estigmatizante e é necessária formação permanente para que seja possível melhorar o cuidado de base junto dos pacientes com transtornos mentais.
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Desde os anos 70 que, no Brasil, a área da saúde mental tem lutado por melhores condições no atendimento a pessoas com transtornos mentais. Em 2011 foi criada a Rede de Atenção Psicossocial, cujo objetivo é criar e expandir meios para que a população tenha acesso a assistência psicossocial. Contudo, as conceções dos enfermeiros de cuidados primários em relação à saúde mental acabam por ser antagónicas, pois por um lado, estão preocupados com a incorporação dos princípios da reforma psiquiátrica na assistência ao paciente, mas, por outro lado, têm dificuldade em obter resultados satisfatórios para a promoção da saúde mental, por falta de formação, estigma e preconceito.

O estudo “Primary health care nurses: attitudes towards the person with mental disorder”, publicado na Revista Gaúcha de Enfermagem, pelos docentes da Escola Superior de Enfermagem do Porto, José Carlos Carvalho e Carla Fernandes, em coautoria com outros investigadores, pretende identificar as atitudes dos enfermeiros que atuam nos Cuidados Primários perante a pessoa com transtorno mental e quais as variáveis relacionadas com os cuidados de saúde prestados.

Na realização deste estudo participaram 250 enfermeiros de 69 Unidades Básica de Saúde do município de São Paulo e os dados foram obtidos entre abril e agosto de 2019. Para examinar as atitudes dos profissionais, foi utilizada a “Escala de Opiniões sobre a Doença mental”, que é constituída por 5 atitudes: autoritarismo, benevolência, ideologia de higiene mental, restrição social e etiologia interpessoal.

Os autores concluíram que a inclusão da saúde mental nos Cuidados Primários tem sido um dos maiores desafios dos sistemas de saúde em todo o mundo. Para os enfrentar, é imprescindível a qualificação daqueles que estão na vanguarda dos cuidados nesta área, nomeadamente os enfermeiros. Concluíram ainda que o perfil altitudinal dos enfermeiros que participaram neste estudo é, na sua maioria, mais negativo em relação à pessoa com doença mental, embora haja uma perspetiva altitudinal benevolente positiva em paralelo, é demonstrada a necessidade de intervenção formativa e permanente que permita maior responsabilidade, consciência e liderança profissional manter um comportamento protetor em relação à pessoa com doença mental sem, no entanto, subestimar as suas habilidades.

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