O papel dos enfermeiros portugueses no cuidado de adolescentes com fibrose cística
Enfermeiros são peça-chave no acompanhamento de adolescentes com fibrose cística e empoderamento dos seus familiares.
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A fibrose cística, doença genética transmitida por ambos os pais, tem grande impacto na qualidade e tempo de vida, manifestando-se em múltiplos órgãos e é caracterizada, principalmente, por um distúrbio das glândulas de secreção externa.

Entre os profissionais de saúde, os enfermeiros desempenham um papel fundamental no cuidado a adolescentes com fibrose cística e, por isso, é fundamental um conhecimento aprofundado da realidade individual e familiar de cada adolescente, com vista a identificar e prever as diferentes fases da doença em cada caso, empoderando os adolescentes, os seus pais e familiares de conhecimentos que lhes permitam melhor adaptarem-se à evolução da doença.

O artigo “Caring for adolescents with cystic fibrosis, in Portugal: The Nurse’s Role”, publicado na Revista Comprehensive Child and Adolescent Nursing, pelos docentes da ESEP e investigadoras do CINTESIS, Maria da Conceição Reisinho, Bárbara Pereira Gomes, Fernanda Carvalho e Elisabete Borges pretendeu, através de um estudo qualitativo, dedicar-se ao tema, perceber qual o papel do enfermeiro nos processos de transição do adolescente com fibrose cística e dos seus pais.

Neste estudo participaram cerca de 20 enfermeiros, dos quais 75% trabalhavam em alas pediátricas desde o início da carreira, com uma experiência profissional entre os 5 e os 27 anos. A identificação das necessidades foi considerada, pelos enfermeiros, fundamental para intervenções terapêuticas eficazes de enfermagem, neste contexto. Além disso, o apoio psicológico foi considerado fundamental, especialmente quando do encaminhamento dos adolescentes para transplante pulmonar, quando da hospitalização e, ainda, no acompanhamento do regresso a casa e à vida escolar. Estas entrevistas permitiram perceber a importância que a comunicação tem na prática da enfermagem, envolvendo o enfermeiro, o adolescente, os seus familiares e outros profissionais de saúde.

Os resultados deste estudo fornecem informação relevante sobre as competências centrais dos enfermeiros perante um doente com fibrose cística, incidindo sobre os vários campos de intervenção, sobre a responsabilidade ético-profissional, a prestação de cuidados, a gestão e o desenvolvimento profissional. Esse conjunto de competências são, assim, fundamentais para garantir o melhor atendimento e apoio possível aos adolescentes com fibrose cística, implicando, assim, ganhos em saúde.

O estudo conclui ainda que o papel central dos enfermeiros é particularmente significativo no empoderamento de pais ou pessoas significativas de adolescentes com fibrose cística.

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